1. Editorial

2. Presépio de Natal

3. Natal através dos tempos

4. Notícias da Diocese

5. Encontro Missionário

6. Agradecimentos ao Padre Gecivam

7. Plantai árvores

8. Diário de Dom Rey

9. Espaço para enviar Notícias para o Boletim

 

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 1. Cheiro de Advento


Cheiro de Advento


    Estas últimas semanas do tempo litúrgico foram marcadas pelos evangelhos que nos chamaram a atenção para a necessidade da vigilância. Vigiai, o Senhor está para chegar! Este convite do Senhor não deve ser acolhido com medo, mas com o amor de quem espera alguém muito importante que está para chegar. "No amor não há temor"
(1ª Jo 4, 18).

    Agora estamos no tempo de preparação para o Natal e a orientação é dada pelos discursos sobre a segunda vinda de Jesus, pela pregação penitencial de João Batista e pela gravidez de Maria. Há um cheiro de novidade para toda Igreja. Como a chuva que regando a terra seca faz brotar a semente, nossos corações precisam estar abertos para fazer brotar o amor.

    Afinal, a época do advento é momento propício à avaliação! Oportunidade para rever conceitos, valores, propósitos... Tempo de colher os frutos e de semear a terra; de agradecer as dádivas e de fazer as preces; de esquecer as mágoas e celebrar a vida; de renovar a fé e de construir a paz. Tempo de sonhar e de acreditar no sonho. De arrecadar afeto e distribuir amor... De desejar ao próximo tudo aquilo que esperamos para nós mesmos.

    Neste tempo do advento desejo que sua vida possa estar marcada pela decisão de mudar, de recomeçar de novo. Tudo aquilo que esteve adiando, por mais doloroso que seja, comece a fazer agora. Com certeza muitas pessoas serão evangelizadas por seu testemunho de fé e esperança na VIDA que o Pai lhe deu, que o Filho resgatou e que o Espírito torna santa todos os dias. Que o cheiro do advento espalhe o espírito do Natal na sua vida e na vida de todos filhos e filhas da nossa amada Diocese de Guajará-Mirim e, que a Senhora do Seringueiro, nossa padroeira, nos abençoe e nos proporcione um ano cheio de realizações, sobretudo, na luta em prol da construção do Reino de Deus proposto pela criança da manjedoura!

Tenham um Santo e Feliz Natal!
Pe. Gustavo

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 2. Presépio de Natal: o início da tradição

No ano de 1223, no lugar da tradicional celebração do natal na igreja, São Francisco, tentando reviver a ocasião do nascimento do Menino Jesus, festejou a véspera do Natal com os seus irmãos e cidadãos de Assis na floresta de Greccio. São Francisco começou então a divulgar a idéia de criar figuras em barro que representassem o ambiente do nascimento de Jesus.

De lá pra cá, não há dúvidas que a tradição do presépio natalino se difundiu pelo mundo criando uma ligação com a festa do Natal. Já no século XVIII, a recriação da cena do nascimento de Jesus estava completamente inserida nas tradições de Nápoles e da Península Ibérica.

Neste mesmo século, vindo de Nápoles, o hábito de manter o presépio nas salas dos lares com figuras de barro ou madeira, difundiu-se por toda a Europa e de lá chegou ao Brasil. Hoje, nas igrejas e nos lares cristãos de todo o mundo são montados presépios recordando o nascimento do Menino Jesus, com imagens de madeira, barro ou plástico, em tamanhos diversos.

Atualmente, tradições natalinas antigas como a árvore, o papai Noel, a ceia, o presépio e as músicas natalinas dão forma à celebração do Natal ao redor do mundo.

Que neste tempo do Natal, todos possamos preparar bem o nosso presépio para o Senhor que vem. Na sua casa, junto a sua família prepare bem o coração, presépio por excelência onde Jesus quer nascer.

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3.
  Um breve relato da origem e também do desenvolvimento do Natal pode ajudar nosso entendimento da festa como nós a celebramos em nossa época. Num calendário romano, compilado no ano 354. por certo Filocalo, encontramos a primeira referência explícita. Encabeçando a lista de festas então celebradas está a simples inscrição: "No dia 25 de dezembro, Cristo nasceu em Belém da Judéia". Podemos afirmar, com base nesta evidência, que a instituição desta festa remonta aos primeiros anos do século IV. O Natal não indica a época do ano em que Cristo nasceu, embora Lucas tenha tido o cuidado de situar esse acontecimento em momento bem preciso da história. Ele ocorreu enquanto Quirino era governador da Síria (Lc 2,2), e isso foi aproximadamente entre os anos 08 e 06 antes de Jesus nascer. Foi Dionísio "O Pequeno", monge sírio, que no século VI criou o nosso método de dividir o tempo em antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo. (d.C.). Sem querer, ele fixou o nascimento de Cristo alguns anos mais tarde do que de fato ocorreu. Assim, de acordo com os nossos cálculos mais apurados, o menino Jesus tinha pelo menos cinco anos de idade no ano 01 d.C. A escolha deste dia foi determinada por um festival pré-cristão em Roma, o festival do "Sol Invicto e Invencível". Segundo os cálculos da época, 25 de dezembro era a data do solstício de inverno. Era o dia no qual o sol aparecia mais fraco. Esta grande fonte de luz e calor parecia estar vencida e a ponto de morrer, mas naquele exato momento revivia e, dia após dia, quase imperceptivelmente, ia se tornando mais forte e brilhante. Foi o imperador Aureliano que introduziu em Roma este famoso festival no ano 274 d.C. A Igreja do século IV não suprimiu a festa do "Aniversário do Sol Invicto" mas, aproveitou e transformou-a na solene celebração do "Aniversário de Cristo". A data é a mesma e o simbolismo da luz está ainda em grande evidência, mas o conteúdo é inteiramente. O simbolismo da luz e do sol já era bem conhecido dos cristãos, pois estava enraizado na Bíblia. Cristo já era conhecido como "Sol da Justiça", "Esplendor do Pai", "Luz do Mundo", "Aurora do Alto", entre outros. Um escritor do século IV, aludindo à já então suplantada festa do Sol Invencível, faz a seguinte pergunta: "Mas quem é invencível como nosso Senhor, que venceu e conquistou a morte? Ele incluía no seu entendimento da festa não só o nascimento de nosso Senhor mas também sua luta contra o mal, e a sua vitória sobre ele. Na cruz, Jesus parecia perder a batalha, exatamente como o sol de inverno parecia vencido pela escuridão; mas, na sua ressurreição, conquista a morte e os poderes das trevas, e como o sol da manhã, nasce para a nova vida. Essa é a origem pré-cristã do Natal. A princípio, ficamos um tanto surpreendidos ao saber que a mais cristã das festas talvez tenha vínculos pagãos. Se refletirmos a esse respeito, porém, descobriremos aqui apenas mais um exemplo do método missionário e catequético da Igreja. Em vez de suprimir costumes e instituições já existentes, a Igreja prefere, sempre que possível, mantê-los, mas revestindo-os de novo significado.

    Deste retrospecto das origens é bom guardar na memória duas idéias muito importantes. Em primeiro lugar, que o Natal é uma festa de luz, luz essa que não é objeto de adoração, mas simbolismo de Cristo, que é a luz do mundo. Em segundo lugar, que esta festa, visto que celebra a vitória da luz sobre as trevas, tem caráter redentor, e assim tem relação com a Páscoa, que é a festa da redenção.

    Assim, no centro da nossa celebração do Natal está o mistério da encarnação, que constitui o objeto essencial da festa. João, no prólogo do seu evangelho, declara-o numa afirmação densa: "O Verbo se fez carne, e habitou entre nós" (1, 14). Não é apenas o nascimento de Jesus que é comemorado, nem as circunstâncias desse nascimento, e tampouco os acontecimentos que o cercam. É, antes, o mistério subjacente, o mistério de Deus que se fez homem, que reclama a nossa atenção e empenha a nossa fé na liturgia do Natal. Esta é a verdade central do evangelho. Ela significa que o eterno Filho de Deus tornou-se por segundo nascimento o Filho de Deus no tempo.

    Ao meditarmos esse mistério, se possível ajoelhados diante da manjedoura, lembre-nos de que aquele menino para quem dirigimos nosso olhar não é apenas criança humana, nem simplesmente ser divino com aparência humana. Na verdade ele é ao mesmo tempo divino e humano, o Deus homem Jesus Cristo. Esse é um mistério incompreensível pois ultrapassa entendimento humano, e que propõe grandes exigências à nossa fé. "Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado..." Ouvimos estas palavras de Isaias (9, 1-7) na primeira leitura na Missa do galo. Elas nos lembram que essa criança não tinha aparência diferente de qualquer outra criança. Ela nasceu, e os evangelhos testemunham, em condições menos favoráveis do que as outras crianças. E não obstante nossa fé nos diz que essa criança é o Filho de Deus. Isso nos prepara para aquilo que o profeta diz a seguir: e o seu nome será Conselheiro maravilhoso, Deus forte, Pai eterno e Príncipe da Paz. 

Fonte: Do Advento à Epifania - Vincent Ryan, OSB

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4.

 

REGIONAL CENTRO
Pinturas artísticas nas Igrejas

    Chegando de Lima, no Peru, o missionário claretiano Pe. Cerezo Barredo esteve no Regional Centro para realizar três pinturas murais nas igrejas de São Francisco, São Miguel e Seringueiras. Este renomado artista sacro já tinha estado anteriormente em nossa diocese, pintando na Capela do Seminário, em Nossa Senhora Aparecida de Guajará, e a profética pintura de São Francisco em Nova Mamoré. Agora encerrou o processo de construção e enfeite destas igrejas do Regional Centro com três pinturas de notável valor artístico. Em Seringueiras, seguiu o tema das leituras do dia da festa de Cristo Rei, o Capítulo 25 de Mateus, pintando as obras de misericórdia. Em São Francisco, "Jesus e Francisco, companheiros da caminhada do povo", foi o tema escolhido. Enquanto um grande mural de Cristo Ressuscitado preside a igreja de São Miguel Arcanjo. Com certeza, estas expressivas pinturas religiosas vão continuar a catequizar o nosso povo pela vista, como o faziam os artistas da Antigüidade.
 

Santo Antônio do Guaporé

Esta pequena comunidade do Rio Guaporé vinha enfrentando problemas desde que em 1984 foi criada a Reserva Biológica do Guaporé. Já então a intervenção do Padre Paulo e de Dom Geraldo evitaram sua expulsão por parte do IBAMA, mas os seus direitos continuavam sem ser reconhecidos legalmente. Ultimamente a comunidade continuava a ser ameaçada, sendo tratados os seus moradores, nascidos e criados no lugar, como invasores da Reserva, com perigo de perder sua terra tradicional. Com ajuda da Diocese levantando documentação, da UNIR de Porto Velho, da ONG Ecovale e do Deputado Eduardo Valverde, ficou demonstrada a existência de Comunidades Remanescentes de Quilombola no Vale do Guaporé, sendo reconhecido como Santo Antônio do Guaporé.

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 5. Encontro Missionário

A Irmã Glória e o Pe. Zezinho, Missionário Claretiano, participaram deste encontro realizado em Roraima representando nossa Diocese de Guajará-Mirim. Conforme relata, entusiasmada, a nossa irmã Glória: "foi uma experiência maravilhosa, foi uma graça de Deus poder participar em companhia do Pe. Zezinho de um encontro tão rico em espiritualidade encarnada. Escutar experiências povos indígenas, ribeirinhos e migrantes. Ter tido a oportunidade de conhecer tantas realidades de pessoas solidárias com a vida dos Povos Amazônicos. Isso fez ferver dentro de nossos corações o desejo de um espírito missionário mais comprometido com as pessoas que estão sempre a caminho. Por fim, a graça de poder perceber e identificar os sinais do Reino em cada partilha, em cada reflexão, depoimentos e testemunho de vida".

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 6. Agradecimentos

    Toda a Diocese de Guajará-Mirim, ainda triste com o retorno do Pe Gecivam para sua Diocese em Maringá, agradece a Deus a grande contribuição missionária por ele prestada nestes três anos em que aqui trabalhou com muita dedicação e amor. Querido Pe. Gecivam leve contigo o abraço e a saudade de todos que aprenderam a te amar e a certeza que aqui, nestas terras de Missão, permanecerão estampadas suas marcas e sinais! Que Nossa Senhora do Seringueiro abençoe seus passos!

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7. PLANTAI ÁRVORES!

    Enquanto hoje chovia bonito, eu lembrei desses meses atrás, quando todo o mundo ficava assustado e revoltado, pois por toda parte o fogo se alastrava, pelas matas e pelos pastos, matando reses, queimando cafezais e reservas. Os olhos doendo e a fumaça impedindo-nos de respirar livremente.

    Ao final começou a chegar a chuva, bênção de Deus! E a terra recuperando-se e reverdecendo, ao mesmo tempo em que também acalmando-nos e sossegando. As águas lavam também nossa alma e retornam a vida sua fertilidade.

   

    Olhando para a roça, o lavrador já pensa no plantio e na fartura da colheita prometida. Os rios recuperam o nível de seus amplos leitos, finando sua penúria. E os povos das águas sem do seu isolamento, enquanto o peixe entra no período de reprodução e da fartura dos igapós.

    Bênção de Deus é a chuva! Já diziam os antigos: "Agricultores: plantai árvores, pois eles crescem enquanto vocês dormem!" E as árvores preservam a riqueza indispensável das águas e mananciais, que são a vida da terra e de nós mesmos.

Salmo 127, 1-2

"Se Javé não constrói a casa,

em vão labutam os seus construtores,

se Javé não guarda a cidade,

em vão vigiam os guardas.

É inútil que vocês madruguem

e se atrasem para deitar,

para comer o pão com duros trabalhos:

aos seus amigos, ele o dá enquanto dormem!"

 

Pe. Josep Iborra Plans,

Missionário Claretiano em São Francisco do Guaporé

Comissão Pastoral da Terra (CPT – RO)

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 8.

16.10.33 – Agradeci os juizes da Festa oferecendo-lhes uma modesta estampa de Sta Terezinha.

17.10.33 – A repartição de água no Colégio vem funcionando desde ontem. Com 1 hora cada, pela manhã enchem-se os tanques, os quais dão bastante água durante o dia todo efetuando-se o escoamento numa única fossa comum. Fui no Coletor Federal, o sr. Fraga Dias, pedir-lhe um atestado sobre as nossa obras, mais formalidade necessária em vista de requerer subvenção do Governo Federal.

18.10.33 – Aniversário natalício do Intendente Sr. Manoel Boucinhas de Menezes, o qual não passou despercebido dos seus administrados. Pois é este o último ano da sua função. Eis porque constitui-se uma comissão organizadora, a saber: Fraga Dias, Miguel Ribeiro, as 3 professoras das Escolas Reunidas, no intuito de homenageá-lo condignamente com grupo de amigos. Às 5 horas alvorada pela banda musical perante a residência do Intendente.

Às 8 horas Missa cantada pelas Escolas Reunidas. Logo depois, na Intendência, aposição do seu retrato, obra prima do artista Parra. Discurso do Dr. Tancredo, oferta de flores e de votos pela aluna Francisca Bezerra do Colégio Sta Terezinha. Vários cantos pelas alunas das Escolas Reunidas, oferta de um presente pelo comercio. À instrução, louvando os esforços do corpo professoral, pelas melhores feitas, porém reconhecendo que ficava ainda muito para fazer e afirmando categoricamente que punha as suas esperanças as mais fagueiras no Colégio Sta Terezinha da Prelazia. Encerrou-se a festa com um discurso da professora Haydée de Oliveira declarando por fim fundada a "Escola Noturna" Boucinhas de Menezes, cuja direção será assumida pelas 3 senhoras amazonenses. Na saída da sala bateram-se várias fotografias e formou-se o cortejo para acompanhar o festejado até a sua residência, onde a música continuou a tocar enquanto com o P. Paulo, nos retiramos. À noite chegou o seguinte telegrama de S. Paulo: "Comunico chegada Albi Dom Luiz, Maria Galibert Cassiano, Américo, viagem boa. Superior geral manda recusar meninos filhos pais não casados. Pe Ignácio". Quando participei a notícia a Turíbio Vilar, o menino interessado, ficou triste.

19.10.33 – Pelo correio, só uma carta do Padre de Riberalta, autorizando-nos a exercer nosso ministério em Villa Bella e em Cachuela Eperanza.

20.10.33 – Às 8 horas missa cantada pelo Colégio Sta Terezinha. Às 10 horas catecismo. Às 11 horas ensaio de canto "Missa de Requiem". De noite Kermesse que rendeu 27$000. Mantem-se por principio, a fim de acostumar o povo.

23.10.33 – Às 7 horas, com Mestre Jorge Trifiatti saiu para Vila Murtinho o Revmo. P. Paulo. De volta deve parar em Lages, em Pau Grande e em Yata.

24.10.33 – Ao único pedreiro que trabalha na Igreja, junta-se outro, um rapaz novo, em trânsito aqui, do Acre para S. Luiz de Cáceres e Corumbá. O qual aliás fez boa impressão, desde o princípio. Tenciona passar aqui uns quinze dias, esperando a subida da lancha para Vila Bela de Mato Grosso. Com as doenças de gripe e paludismo, vão se multiplicando, sobretudo durante a ausência do Cel. Saldanha, as receitas e visitas a domicilio.

25.10.33 – Comprometi-me para tratar uma menina cega sifilítica do Sr. Benedito Amaral, mediante alguns dias de trabalho, que este fará nas obras da Igreja. Compromisso, alias, que ambas as partes começaram a realizar hoje. Concluí o relatório, o balancete do movimento administrativo da Prelazia e Colégio, entre atestados e procuração a serem enviadas ao nosso procurador, o Dr. Lopes Martins, em vista de pedir um auxilio do Ministério da Educação e Saúde Pública. Selos e papel não me custaram menos de 25$000.

28.10.33 – Cada manhã depois da Missa, tratamento, em casa, de vários doentes, soldados, roceiros, etc... e injeções diárias. Pelas 4 horas da tarde voltou o P. Paulo, de sua desobrigada ao longo da linha, resultado: 4 casamento, 5 batismo e mais 30 comunhões. Achou-se muito satisfeito pelo acolhimento simpático da população. Grande temporal. O raio caiu por 3 vezes no meio de nós, na residência da Prelazia! Porém saímos salvos por uma especial proteção Divina.

29.10.33 – Festa do Cristo Rei. Comunhão da filhas de Maria. Missa solene cantada pelo Colégio Sta Terezinha. Pela tarde, catecismo na rua Guaporé. Confissão de um doente, em casa.

De noite benção, Kermessezinha. F. Theófilo anda adoentado, porém depois do tratamento, teve sensível melhora.

01.11.33 – Todos os Santos. Missa solene cantada pelo Colégio. Houve pouca assistência por causa da chuva. Não mais que as outras festas de guarda, está não foi feriado pelos trabalhadores, pelo começo, pelo mundo oficial. Deus tomará conta. Fui plantar uma Cruz no túmulo do Finado Luiz da Coluna.

02.11.33 – Dia de finados. Missa de Réquiem cantada solenemente pelas alunas do Colégio Santa Terezinha. Pela tarde a gente foi no cemitério individualmente. Eu fui chamado junto de doentes. Padre Paulo foi dar a "absouti" e benzer os túmulos. Chegou o trem sem correspondência.

03/4.11.33 – Preparei toda a correspondência para os pais das alunas do Rio Guaporé, o Cel Saldanha, o Pe. Ambrosio de quem recebi uma carta lastimando o fracasso de minha viagem projetada. Ficou resolvido que as alunas tomarão férias aqui mesmo. O Capitão Aloísio pediu-me telegrama a responder se o estado do Tte. Cassiano é grave. Respondi que não havia perigo, e de fato, durante a noite o Tte. melhorou. O Pe. Paulo, incomodado, purgou-se...

05.11.33 – Tratei muitos doentes. O Pe. Paulo reuniu a irmandade do Apostolado que veio numerosa. Detalhe interessante: relataram que uma menina tinha ameaçado Dª Alice de lhe fechar a boca com o leque se a abrisse para cantar. Sic! E porque? Coitada! Incomprehemsibilis est mulier!!! Felizmente, esta noite, Dª Alice cantou mais do que nunca a nada lhe aconteceu.

06.11.33 – O tenente Cassiano piorou. Foram chamar o Dr. Mendonça. Passei a maior parte do dia tratando de doentes. Um moribundo que chegou ontem do Pacaas Novas pedindo receitas, foi confessado e ungido pelo Pe. Paulo e faleceu hoje.

08.11.33 – Pelo correio recebi uma carta do Revmo. Superior Geral da França pela qual me confirma suas felicitações telegráficas a respeito do internato Sta Terezinha. Carta do Américo Guerra despedida antes de partir para a França. Carta do Pe. Francisco, a narração dos acontecimentos de "Tanque Novo" que acabou arrasado, fuzilado, incendiado por 200 soldados armados com 5 metralhadoras. Bem valeu aos Padres a vitória da policia, pois os fanáticos de "Tanque Novo", tinham resolvido, de exterminar todos os incrédulos da nova religião, entre as quais evidentemente em 1º lugar os Padres. Mas Deus vela!

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