Em 21/09/1882, na aldeola denominada
Codeços, Conselho de Celorico de Basto,
província do Minho, Portugal, nascia
Albino Alves da Cunha e Silva,
filho de Avelino Alves da Cunha e Silva e de
Ana Joaquina da Mota e Andrade.
Em sua infância, o menino Albino mostrou-se
ativo inteligente com senso de responsabilidade e um
sorriso angélico, e foi tornando-se conhecido e
admirado por todos na cidade de Amarante.
Quando jovem, sentiu-se chamado a ser padre;
contrariando à vontade do pai, que queria vê-lo
formado em direito, mas indo de encontro ao sonho
da mãe, que era ver o filho sacerdote.
Ordenou-se sacerdote na cidade de Braga, em setembro de 1905.
Tudo ia bem para o jovem sacerdote, o qual já
administrava uma paróquia na sua terra natal,
mas com a revolução que instalou a república em Portugal,
o clero foi perseguido e Padre Albino para salvar sua vida teve
que fugir e escolheu para sua nova pátria o Brasil.
Aqui desembarcou em 21/09/1912, com 30 anos de idade
e 7 de sacerdócio, indo trabalhar na paróquia de Jaboticabal,
posteriormente foi transferido para a paróquia de Barra Bonita.
Em 1918, foi nomeado para a paróquia de Catanduva, tomando
posse no dia 28/04. Naquele dia, Catanduva recebia aquele
que viria a ser o seu maior benfeitor, tanto no campo material
como no espiritual. Catanduva tinha na época, apenas umas 200 casas.
A princípio, não foi bem recebido pelo povo
. Quantas vezes o Padre Albino, ao passar pelas ruas,
recebia insultos soezes! Alguns tossiam propositadamente,
e escarravam perto de seus pés! Entretanto, não se revoltava.
Suportava tudo calado e sem perder a calma. Nem sequer fazia
cara feia. Aos poucos, Padre Albino foi conquistando todo o povo.
Seu primeiro empreendimento em Catanduva foi a construção
da igreja Matriz. Todos os dias celebrava a missa pela manhã,
rezava o breviário todo diante e bem pertinho do Santíssimo
Sacramento, tomava algum alimento e saia em busca de donativos,
a pé ou a cavalo. O povo, vendo sua dedicação, bondade, e
a forma com que rezava e administrava os sacramentos, passou
a aceita-lo, a admira-lo e a colaborar com ele.
- "Já que meus queridos paroquianos pobres e humildes
ampararam-me em tão árduo empreendimento - qual seja
a construção da Matriz, - vou agora - pensou Pe. Albino -,
com todas as minhas forças, confiante na proteção divina,
amparar os pobres. Não só os de minha paróquia, como também
os da circunvizinhança. Vou fundar um hospital, onde,
principalmente os desprotegidos da sorte possam encontrar lenitivo
para as suas dores e sofrimentos". Em 1926 começou a construção
da Santa Casa de Misericórdia, a qual é hoje o Hospital Padre Albino,
contando com a ajuda de todo o povo, pobres e ricos, que a essa
altura já o amava.
Por iniciativa de Padre Albino, surgiram outras belas
e beneficentes obras das quais Catanduva se orgulha:
o Asilo dos velhos; a Vila de São Vicente; o Colégio Nossa
Senhora do Calvário; a Casa da Criança "Sinharinha Netto";
o Orfanato "Ortega Josué"; o Educandário São José. Fez erguer
várias capelas na cidade e nas vilas adjacentes. E mais o Colégio
Comercial Catanduva, A Faculdade de Administração, A Faculdade
de Educação Física e a Faculdade de Medicina de Catanduva.
Como Catanduva crescia, Pe. Albino esteve em Roma em 194
9, onde, junto do Cardeal Mazella, consegui a vinda dos revmos.
Srs. Padres Doutrinários para a cidade. Ergueu-se logo o Santuário
de Nossa Senhora Aparecida (atual Catedral sede da Diocese de Catanduva),
criando-se ali, nova paróquia para os recém-chegados sacerdotes.
Em sua caminhada, Pe. Albino teve muita dor e sofrimento
. Sofreu 12 quedas e várias fraturas. Duas vezes, queda de avião.
Passou por 7 grandes operações; sofreu insultos e ameaças, sem se afligir,
sem se queixar, sem odiar a quem quer que seja. Com 76 anos saiu a pé em
busca de donativos para os seus queridos pobres e caiu em um grande buraco,
fraturando o fêmur da perna direita.
Ficou hospitalizado por 6 meses. Sarou, mas ficou com uma perna
mais curta do que a outra uns 3 ou 4 cm.
Dom Lafayette, quando era bispo diocesano de Rio Preto
, em visita pastoral à paróquia de Catanduva, escreveu:
"O Exmo. Mons. Albino faz do preceito: "Amar a Deus sobre
todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", a sua vida
heróica de sacerdote de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na sua
matriz e em suas obras de caridade, reina o espírito de
caridade cristã. Tudo em ordem, graças a Deus".
O título de Monsenhor foi concedido pela Santa Sé, a
pedido de dom Lafayette Libanio.
Faleceu em 19 de setembro de 1973
dois dias antes de completar 91 anos,
por insuficiência respiratória.
Baseado no livro Monsenhor Albino Alves da Cunha e Silva
Apóstolo da Caridade
De Mons. Victor Rodrigues de Assis e Pe. Synval Januário.
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